As intensas chuvas em Canarana, na região do Vale do Araguaia, em Mato Grosso, têm dificultado a colheita da soja na temporada 2024/25. Em algumas propriedades, os produtores enfrentaram um acúmulo de 400 milímetros de chuva em uma semana. A soja, que deveria ser colhida após 110 dias, foi retirada após 124 dias nas lavouras, causando prejuízos e atrasos, além de problemas com atoleiros devido ao grande volume de água.
O produtor Diego Dal Asta, que cultiva 3,4 mil hectares de soja, relatou que, quando o tempo permite, os trabalhos se estendem até a noite, até as 23h, para tentar compensar os atrasos. No entanto, em algumas áreas, foi necessário o uso de máquinas com esteira para lidar com os atoleiros. O excesso de chuva também causou a necessidade de atrasos na semeadura do milho e gergelim.
Na propriedade de Mateus Goldoni, a situação é similar, com problemas de atoleiros e máquinas atoladas, além de dificuldades com estradas vicinais que não suportam o intenso tráfego durante esse período. Já o produtor Alex Wisch teve um acumulado de chuvas superior a 2 mil milímetros em quatro meses. Ele enfrentou dificuldades para colher soja, com 28 dos 32 dias de colheita sendo debaixo de chuvas, o que resultou em descontos pela alta umidade e atrasos.
Além disso, Alex sofreu um prejuízo significativo com a perda de uma máquina que pegou fogo, o que agravou ainda mais a situação. Segundo ele, a colheita tem sido uma “operação de guerra” para minimizar as perdas, com o uso de máquinas terceirizadas para retirar a soja das lavouras.
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Canarana, Lino Costa, a colheita da soja nesta safra está sendo desafiadora. Para evitar perdas, é necessário agir com rapidez, pois o excesso de chuva afeta a qualidade do grão, principalmente as variedades mais sensíveis. Apesar dos desafios, a produção continua boa, com a colaboração entre os produtores para amenizar os problemas.

