Violência, pedofilia, assassinatos, corrupção e outros crimes brutais chocaram o estado ao longo de 2025. Entre eles estão os assassinatos do morador de rua Ney Muller, do ex-jogador de vôlei Everton “Boi” e da personal trainer Rozeli Nunes.
Além disso, um caso de pedofilia abalou a comunidade em Canarana e em todo Mato Grosso, e um esquema de corrupção que causou um rombo de mais de R$ 21 milhões na Conta Única do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) também gerou revolta na população.
Caso Ney Muller
No dia 9 de abril, o ex-procurador Luiz Eduardo Figueiredo Rocha matou o morador de rua Ney Muller Alves Pereira com um tiro na cabeça, nas proximidades da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. Câmeras de segurança registraram o momento em que o assassino para o carro, chama a vítima, que se aproxima da janela, e dispara. Em seguida, Luiz Eduardo foge, e Ney Muller aparece nas imagens agonizando no chão.
No dia seguinte, o ex-procurador se apresentou na delegacia e confessou o crime. Em depoimento, alegou que Ney havia jogado uma pedra em seu carro, uma Land Rover, momentos antes, enquanto jantava com a família em um restaurante da região.
Inconformado com a situação, Luiz Eduardo deixou a família em casa, voltou para a rua em busca do suposto autor da pedrada, encontrou Ney Muller e o matou.
Desde então, o ex-procurador tenta se livrar da cadeia, mas permanece preso. Ele trabalhava na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e foi afastado. Seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) também foi suspenso.
Pedofilia em Canarana
No dia 31 de maio, a Polícia Civil de Mato Grosso desvendou uma série de crimes cometidos pelo médico e ex-vereador de Canarana (a 643 km de Cuiabá), Thiago Bitencourt Ianhes Barbosa (PL). Ele foi acusado de abuso sexual infantil, armazenamento e divulgação de imagens pornográficas envolvendo crianças e adolescentes.
De acordo com as investigações, ele teria feito pelo menos sete vítimas, além de manter uma adolescente de 15 anos como escrava sexual desde que ela tinha 12.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa dele, foram encontrados vasto material relacionado à pedofilia, como brinquedos sexuais, algemas, roupas de criança e imagens dos abusos sexuais. Parte das gravações era feita e divulgada pelo próprio médico, que atendia em uma unidade de saúde do município e se aproveitava da vulnerabilidade das vítimas.
Os crimes eram cometidos juntamente com uma enfermeira, que fotografava as crianças, expondo, manipulando e introduzindo objetos nas partes íntimas delas, e compartilhava as imagens com o pedófilo.
Uma das vítimas é portadora de deficiência física e mental.
Os criminosos continuam presos. Thiago Bitencourt renunciou ao cargo de vereador.
Adolescente de Água Boa participa virtualmente de crime no Rio de Janeiro
No dia 21 de junho, em Itaperuna (RJ), um adolescente de 14 anos matou o pai, Antônio Carlos Teixeira, de 45 anos; a mãe, Inaila Teixeira, de 37; e o irmão de três anos. Para matá-los, ele usou uma arma de fogo do pai, que era Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).
Depois de cometer o crime, o menor espalhou um produto químico no chão e arrastou os corpos até uma cisterna da casa, onde os jogou.
Nos dias seguintes, parentes passaram a perguntar pela família e chegaram a comunicar o desaparecimento à polícia.
Três dias depois, policiais foram até a casa para realizar perícia e encontraram os corpos.
O adolescente confessou o crime e disse que matou os pais porque eles eram contra o relacionamento virtual que mantinha com uma adolescente de 15 anos, moradora de Água Boa (a 625 km de Cuiabá), em Mato Grosso. Durante as investigações, foram encontradas conversas entre os dois. A adolescente incentivava o namorado a cometer o crime e planejava formas de esconder os corpos. Uma das possibilidades cogitadas era o esquartejamento para que as vítimas virassem comida de porcos.
Durante o crime, os menores trocaram mensagens. Em um áudio, o adolescente disse “matei meu pai”, ao que a namorada respondeu “atira nela agora”, referindo-se à mãe.
Após os assassinatos, trocavam juras de amor, e a menor dizia estar orgulhosa do adolescente por ter matado a família para ficar com ela.
Diálogos mostraram ainda que o garoto pretendia ir para Água Boa para que ambos pudessem matar os pais da adolescente. Os dois se conheceram em um jogo virtual quando tinham apenas 8 e 9 anos.
Caso Everton Boi
No dia 11 de julho, uma emboscada terminou na morte do ex-jogador de vôlei Everton Pereira Fagundes da Conceição, de 46 anos, conhecido como Everton Boi. Ele foi atraído por Idirley Alves Pacheco, de 40 anos, que o chamou para levar uma caminhonete VW Amarok a determinado lugar. No caminho, Idirley atirou seis vezes contra Everton, à queima-roupa.
A motivação seria ciúmes da ex-namorada, que estaria próxima de Everton.
Idirley responde por homicídio qualificado.
Investigações apontam que Everton conhecia Idirley e a ex-mulher dele havia pouco tempo. A vítima passou a manter contato próximo com os dois e iniciou um relacionamento com a ex-esposa do assassino, o que motivou o crime. As investigações mostram que Idirley era possessivo, ciumento e não aceitava o término do relacionamento. A ex-companheira havia registrado boletim de ocorrência e solicitado medidas protetivas semanas antes do homicídio.
Idirley tentou alegar que estava sendo vítima de extorsão, mas a versão foi descartada.
Operação Sepulcro Caiado
Na manhã de 30 de julho, uma ação policial abalou as estruturas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A Polícia Civil deflagrou a Operação Sepulcro Caiado e desvendou um esquema que desviou mais de R$ 21 milhões da Conta Única do tribunal, por meio de ações de execução ajuizadas sem conhecimento das partes rés, com assinaturas, documentos, procurações e comprovantes de pagamento falsos.
Ao todo, 11 pessoas foram presas: o empresário João Gustavo Ricci Volpato, líder do esquema; sua mãe, Luiza Rios Ricci Volpato; o irmão, Augusto Frederico Ricci Volpato; os advogados Rodrigo Moreira Marinho, Wagner Vasconcelos de Moraes, Melissa França Praieiro Vasconcelos de Moraes, Themis Lessa da Silva, João Miguel da Costa Neto, Régis Poderoso de Souza e Denise Alonso; e o servidor do TJ Mauro Ferreira Filho.
Segundo as investigações, o servidor criava planilhas falsas simulando depósitos na Conta Única, permitindo a obtenção fraudulenta de alvarás judiciais e a transferência dos valores para contas vinculadas aos processos.
Pouco tempo depois, todos foram soltos e denunciados por organização criminosa, estelionato e peculato. O caso segue em investigação.
Rozeli Nunes
No dia 11 de setembro, por volta das 6h, a personal trainer Rozeli da Costa Nunes saiu de casa, em Várzea Grande, para trabalhar. Poucos metros após sair de casa, foi surpreendida por dois homens em uma motocicleta que pararam ao lado do carro dela e atiraram cerca de seis vezes. Ela morreu na hora.
O caso teve grande repercussão, e a Polícia Civil iniciou rapidamente as investigações. Poucos dias depois, o autor dos disparos foi identificado: o policial militar Raylton Mourão. No início, a esposa dele, Aline Valandro Kounz, chegou a ser apontada como suspeita, mas a participação foi descartada.
Cerca de uma semana após o crime, Raylton, que estava foragido, se entregou e confessou a autoria. O piloto da motocicleta, Victor Hugo Oliveira da Silva, também foi identificado.
As investigações apontaram que Rozeli foi morta por causa de uma briga judicial em que cobrava R$ 24 mil do PM. Em março, o carro dela havia sido fechado por um caminhão-pipa da empresa do casal. Ela relatou ter sofrido prejuízos e abalo psicológico e entrou com pedido de indenização de R$ 9,6 mil por danos materiais e R$ 15 mil por danos morais.
Ainda no início do processo, sem sequer audiência de conciliação, Raylton decidiu se vingar. À polícia, afirmou ter tido desejo “incontrolável” de matar a vítima e relatou ter sido atormentado por demônios. Ele convidou Victor Hugo para participar do crime, oferecendo R$ 500. Victor contou que acreditava ter sido chamado para capinar um lote às 3h da manhã.
VANESSA MORENO DO REPÓRTER MT

