A conta de energia elétrica está entre as principais queixas dos brasileiros. Mês após mês, consumidores relatam aumentos repentinos no valor da fatura, muitas vezes sem qualquer alteração no padrão de consumo. Em grande parte dos casos, o problema não está no uso da energia, mas em falhas na leitura do medidor, estimativas indevidas e cobranças irregulares.
A leitura do medidor deveria refletir exatamente o consumo do imóvel, porém erros ainda são frequentes. Eles podem ocorrer por leitura à distância, estimativa automática, falha humana do leiturista, defeito no equipamento ou até porque o imóvel estava fechado no dia da medição. Quando a leitura não é realizada corretamente, a concessionária costuma aplicar uma média de consumo, que nem sempre corresponde à realidade do cliente.
Esse tipo de cobrança exige atenção redobrada, pois só deve ocorrer quando não houve leitura no período. O problema surge quando o cálculo é feito com base em meses atípicos, como períodos de calor intenso ou uso eventual de equipamentos. Em Mato Grosso, onde as altas temperaturas elevam o uso de ar-condicionado e ventiladores, uma média mal calculada pode inflar significativamente o valor da conta.
Outro transtorno recorrente é a fatura acumulada. Ela acontece quando a concessionária deixa de cobrar corretamente por alguns meses e, posteriormente, lança todos os valores de uma única vez. Apesar de o consumo ser real, esse tipo de cobrança pode ser questionado, principalmente quando o consumidor não é avisado previamente.
Em qualquer situação, o cliente não pode ser surpreendido sem explicação clara, sobretudo quando o problema envolve o medidor de energia, que é de responsabilidade da concessionária. Caso haja suspeita de defeito no equipamento, o consumidor tem direito a solicitar uma verificação técnica. Se o erro for confirmado, a cobrança deve ser refeita, com devolução ou compensação dos valores pagos a mais. O pedido pode ser feito formalmente, e o consumidor tem o direito de acompanhar todo o procedimento.
Para identificar uma cobrança indevida, é importante observar alguns sinais:
aumento abrupto da conta sem mudança de hábitos;
consumo incompatível com o tamanho do imóvel;
fatura elevada em imóvel vazio;
leitura diferente da registrada no medidor.
Caso alguma dessas situações ocorra, o consumidor pode comparar a leitura da fatura com o número do medidor, registrar fotos mensais, solicitar revisão da conta e, se não houver solução, procurar o Procon, sempre guardando protocolos e documentos.
A legislação garante ao consumidor o direito à informação clara sobre o cálculo da conta, à revisão dos valores questionados, à suspensão da cobrança contestada e, em determinados casos, à devolução do que foi pago indevidamente. Conta de luz alta nem sempre significa consumo elevado. Quando erros não são questionados, acabam se tornando um prejuízo silencioso no bolso do consumidor.

