A Vigilância Ambiental de Canarana, no Mato Grosso, apresentou nesta terça-feira (20), durante coletiva de imprensa realizada na Prefeitura Municipal, um panorama preocupante sobre os casos de arboviroses no município e anunciou novas estratégias para reforçar o combate ao mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.
De acordo com o coordenador da Vigilância Ambiental, Luiz Fernando Tonini, o início do ano já aponta para um aumento significativo dos casos. Em 2025, o município registrou mais de mil notificações suspeitas das doenças, e os primeiros dados de 2026 reforçam o alerta. Apenas nas duas primeiras semanas do ano, cerca de 3 mil imóveis foram vistoriados, o que representa menos de 20% da cidade, e 372 focos de mosquito foram encontrados.
As amostras coletadas foram analisadas em laboratório e, segundo Tonini, 226 apresentaram resultado positivo para o Aedes aegypti, principal transmissor das arboviroses. O índice elevado ajuda a explicar o crescimento dos casos confirmados e o aumento de reclamações da população sobre a presença de mosquitos, inclusive de outras espécies.
Atualmente, a meta da Vigilância Ambiental é visitar 12 mil imóveis a cada 60 dias, o que corresponde a aproximadamente 80% das residências, empresas e lotes cadastrados, de um total de cerca de 15 mil imóveis no município. No entanto, um dos principais desafios enfrentados pelos agentes de combate a endemias tem sido o grande número de imóveis fechados.
Para contornar o problema, novas estratégias começaram a ser adotadas em 2026, como a realização de visitas em horários alternativos, especialmente às sextas-feiras, durante o horário de almoço. Segundo Tonini, a medida já apresentou resultados positivos: em uma semana, 140 imóveis foram acessados entre os 400 que antes estavam fechados.
Outra ação anunciada é a entrega de bilhetes informativos nas caixas de correio, contendo o nome e telefone do agente responsável e os contatos da Vigilância Ambiental. O objetivo é facilitar o agendamento das visitas, reforçando que o trabalho é orientativo, e não punitivo.
Apesar disso, Tonini afirmou que, em casos recorrentes e considerados graves, com histórico de focos e condições insalubres, o município poderá adotar medidas mais rigorosas, incluindo autuações. “Quando a orientação não resolve, precisamos ser mais incisivos”, destacou.
O coordenador também chamou atenção para o aumento de casos graves, com internações recentes, inclusive de jovens adultos e crianças que precisaram ser encaminhadas para outros municípios. O cenário motivou o chamado à imprensa e o apelo à população para colaborar com as ações de prevenção.
A Vigilância Ambiental reforça que denúncias e solicitações podem ser feitas pelo telefone (66) 98436-1255 ou pelos canais do SAC, abertos à população. “A resposta pode não ser imediata, mas todas as demandas são acompanhadas”, garantiu Tonini.

